Você sabe o que é lesão por pressão? Possui algum familiar com esse problema? Sabe porque ocorre? Os fatores de risco? Como prevenir?
A lesão por pressão (LPP), popularmente conhecida como úlcera de pressão, úlcera de decúbito, ferida de leito ou escara, é um dano localizado na pele e/ou tecidos moles subjacentes, geralmente próximo ao osso ou relacionada ao uso de dispositivo médico ou a outro artefato.
Ela é mais comum entre os idosos, pessoas com a mobilidade reduzida ou pessoas acamadas. Geralmente elas são de difícil cicatrização, dolorosas e afetam na qualidade de vida do afetado pois cria uma série de dificuldades psicológicas, físicas e clínicas. Além disso, é motivo de preocupação para os familiares e cuidadores do indivíduo.
Como ela ocorre?
Com o processo de envelhecimento, ocorre a diminuição da capacidade funcional dos sistemas circulatórios, nutricionais e sensoriais do idoso, o que pode afetar negativamente no fluxo sanguíneo, levando uma deficiência na oxigenação, hidratação e nutrição dos tecidos.
E ela ocorre por 3 motivos:
1: Pressão prolongada
É o mais importante para o desenvolvimento da lesão por pressão. Quando há uma pressão prolongada no tecido, geralmente em locais próximos à proeminência óssea, ocorre a oclusão do fluxo sanguíneo no local, causando isquemia tecidual, o que impede o aporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos…
“O QUE??? NÃO ENTENDI NADA!!!”
Calma, vamos explicar melhor…
Por exemplo, quando um idoso fica deitado na cama com a barriga para cima por muito tempo. Vai ocorrer a limitação do fluxo sanguíneo exatamente no ponto de pressão entre a região do cóccix do acamado e o colchão que ele está deitado. Essa limitação causa a obstrução do sangue para os tecidos periféricos. Ou seja, nem oxigênio e nem nutrientes que é tudo o que eles precisam para ficarem lindos e maravilhosos não vão chegar lá naquele ponto. Então, a região afetada sofrerá alterações na pele, podendo a ocasionar necrose e a morte tecidual.
É por isso que, partes do corpo como região sacral, calcâneo, cotovelo, escapular e etc. são mais afetadas. Entendeu?

2: Fricção
A fricção ocorre quando duas superfícies estão em atrito (pele e lençol, por exemplo)
Isso faz com que as células da camada superficial da pele sejam removidas. A forma mais comum de fricção ocorre quando o paciente é puxado (friccionado) no leito. Quando a fricção é feita com a pele úmida, isso piora ainda mais o quadro.
3: Cisalhamento
Ocorre quando o paciente escorrega involuntariamente na poltrona ou no leito e a pele permanece no mesmo lugar. A interação com a fricção provoca destruição dos pequenos vasos e interrompe o aporte sanguíneo no local.

Como identificar uma lesão por pressão?
É muito importante a gente saber identificar, para poder prevenir.
A lesão por pressão possui alguns estágios:
1: descoloração persistente da pele, incluindo eritema (vermelhidão) não branqueável, coloração azul, roxa ou preta.
2: perda de espessura parcial da pele envolvendo epiderme e derme.
3: perda de espessura total da pele envolvendo dano ou necrose dos tecidos subcutâneos, mas não através da fáscia subjacente e não se estendendo ao osso, tendão ou cápsula articular subjacente.
4: perda de espessura total da pele com destruição extensa e necrose do tecido que se estende ao osso, tendão ou cápsula articular subjacente.

Agora que você já sabe a causa e como identificar, fica fácil entender quais são os fatores de risco e como prevenir.
Quais são os fatores de risco para a lesão por pressão?
Existem mais de cem fatores de risco para a formação da lesão por pressão, tais como diabetes, doença cerebrovascular, câncer, fraturas dos membros inferiores, incontinência urinária ou fecal e doença cardiovascular.
O problema é que muitas destas condições clínicas citadas acima estão habitualmente presentes em pessoas mais doentes, mais frágeis e debilitadas, que frequentemente têm também outros fatores de risco importantes para o desenvolvimento.
Os fatores de risco considerados mais significativos são:
- Imobilidade transitória (cirurgia prolongada com anestesia geral, por exemplo) ou permanente;
- Desnutrição;
- Perda de sensibilidade na pele (comum em diabéticos ou pessoas com lesão neurológica);
- Redução da circulação sanguínea; ou
- Idoso acamado por muito tempo.
Como prevenir a lesão por pressão?
Todos nós sabemos que a prevenção é o melhor remédio. Certo? Agir de imediato assim que identificar a lesão por pressão vai ajudar muito!!!
Superfícies de suporte de baixa pressão constante, de alta tecnologia, moldáveis e que visem redistribuir a pressão sobre uma área de contato maior. Ou seja, itens como:
- Colchão caixa de ovo;
- Colchão pneumático: sacos cheios de ar que inflam e desinflam sequencialmente, alternando a pressão para diferentes locais anatômicos;
- Leitos fluidizados a ar: ar aquecido circulado por finos grânulos de cerâmica recobertos por uma folha permeável, que permite suporte em uma área de contato maior;
- Leitos com baixa perda de ar: os pacientes são apoiados em uma série de sacos de ar através dos quais passa o ar aquecido; ou
- Almofadas para cadeiras: podem ser conformadas e reduzir as pressões, aumentando a área de superfície em contato com o indivíduo, ou mecânicas de pressão alternada.
Porém tudo isso não adianta sem a observação dos seguintes itens abaixo:
- Avaliar diariamente o aparecimento de áreas avermelhadas sobre proeminências ósseas que, quando pressionadas, não se tornam
esbranquiçadas; - Observar o aparecimento de bolhas, depressões ou feridas na pele;
- Reposicionar o cliente acamado com mobilidade reduzida, no mínimo a cada
2 horas para aliviar a pressão (mudança de decúbito); - Utilizar uma programação sistematizada de mudança de posicionamento;
- Orientar e garantir a mobilização do cadeirante em posição sentada a cada 1 hora;
- Garantir um plano nutricional com a quantidade necessária de calorias, proteínas, vitaminas e minerais;
- Fornecer e incentivar a ingestão diária adequada de líquidos para hidratação;
- Incentivar e auxiliar na estruturação de atividades físicas;
- Manter a pele limpa, seca e hidratada;
- Prevenir dermatites associadas à incontinência evitando o contato com urina e fezes, higienizando após eliminações e utilizando cremes de barreira, se necessário (consultar enfermeiro especializado);
- NÃO massagear áreas com sinais de ulceração
- Não utilizar almofadas em forma de anel, pois não garantem o princípio de
distribuição da pressão
Considerações importantes:
Como o profissional de enfermagem está diretamente relacionado ao tratamento de ferida, ele é responsável pelo cuidado direto com o paciente nestas ocasiões, por ser capacitado para avaliar.
Em primeiro lugar, é necessária uma visão clínica que relacione alguns pontos importantes que influenciam neste processo, como o controle da patologia de base (hipertensão, diabetes mellitus), aspectos nutricionais, infecciosos e medicamentosos.
Algumas lesões por pressão podem tornar-se crônicas, logo, a avaliação rotineira de feridas em todos os seus aspectos, é fundamental para a prescrição de um tratamento adequado.
Pacientes podem reagir de forma diferente, mesmo que apresentem feridas semelhantes.
O acompanhamento adequado é fundamental e deve ser feito por profissional capacitado e com abordagem multidisciplinar. A identificação dos riscos para o desenvolvimento dessas lesões deve ser precoce e abranger, também, os familiares e o próprio paciente, quando possível.